O MEU CIÚME

André Gandolfo

 

O meu ciúme
Faz volume nos problemas
Produz a confusão e o dilema
Um pavor

 

O meu ciúme
É perfume pro Vinícius 
É apenas mais um vício
Dito "ultra-amor"

 

O meu ciúme
É estrume pro Caetano 
É até meio desumano
Um desamor

 

O meu ciúme
Estraga, estoura, exclui
Irrita, limita, intui
O meu ciúme, que piada,
Não vale absolutamente nada.

PAIXÃO

André Gandolfo

 

E como são estranhas as paixões,
Semente da flor das ilusões,
Das chagas que maltratam os corações,
Da imaturidade, então.

 

E como são débeis os desejos,
Se perdem na loucura dos ensejos,
O átimo prisioneiro de um beijo,
Da impermanência, e sim.

Tristes são as paixões,
Os fogos ardentes passageiros demais,
Consomem o amor, a fé, o bem,
O carinho, a luz, a paz

FILHO DA RUA!

André Gandolfo

 

O menino aprendeu a ler

Vendo o mundo xingar

O menino aprendeu ouvir

Olhando o mundo chorar

 

O menino aprendeu desenho

No desdém dos outros

O menino aprendeu tão pouco

E muito para ensinar

 

O menino aprendeu chorar também

Aprender a mendigar vintém

Desaprendeu os sonhos que pensou

E pensava no ouro que roubou

 

O menino madrugava livre

Preso no que lhe deram a mão

Cativo do que tragava

Prisioneiro de invisível grilhão

 

O menino acordava o dia

Madruga caminhando por aí

E foi chafundando nesses escuros

Que eu nunca mais o vi.

 

André Gandolfo, 2014.

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